Egito: Arredores do Cairo, porque não?

Confesso que até hoje não sei porque não visitei Memphis, a antiga capital do Egito no Império Antigo e de grande parte do período faraónico. É, talvez, a única coisa de que me arrependo de não ter feito no Egito. Mas tinha tido tempo para isso, porque o ideal era combinar a visita a este sítio arqueológico nos arredores do Cairo com a visita às pirâmides de Dashur e de Saqqara.

Situada no topo do delta do Nilo, a cidade controlava importantes rotas fluviais da época, consolidando-se como centro administrativo e comercial. A extensão e grandiosidade da cidade, centrada na necrópole de Saqqara, dá uma ideia do quão próspera Memphis terá sido, mas, infelizmente, segundo os guias, restam poucos vestígios dessa época áurea. A cidade desapareceu quase por completo. Os templos e palácios estão destruídos, fruto das pilhagens do império romano, tendo as ruínas sido soterradas pelas lamas deixadas pelas cheias do Nilo.

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Museu a céu aberto em Memphis

O pouco que se descobriu da cidade está reunido num pequeno Museu ao ar livre na aldeia de Mit Rahina. A peça principal é uma gigantesca estátua de calcário de Ramsés II, partida pelos joelhos. Nos jardins há mais estátuas de Ramsés II e uma esfinge da 18.ª Dinastia que pesa 80 toneladas. Estando a cidade de Memphis estrategicamente situada entre os sítios arqueológicos de Saqqara e de Dashur, a 47 quilómetros a sul do Cairo, porque não visitá-la? Confesso que nem eu sei agora responder a essa pergunta, mas na ocasião lembro-me que o cansaço acumulado e a agitação de vários dias me levaram a prescindir do local por uma tarde à beira da piscina do hotel. Shame on me.

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Estátua de Ramsés II, Memphis | D.R.
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Esfinge, Memphis | D.R.

Quando a agitação na capital cairota é demasiada, é fácil, aliás, abrandar o ritmo visitando várias destas atracções. Na entrada anterior, falei de Dashur e das pirâmides vermelha e arqueada, quase sempre desertas, mas também de Saqqara, cuja área é bem maior do que a do planalto de Gizé. Agora falei de Memphis. Mas se ainda não chega, há ainda mais para ver:

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Abusir, Saqqara e Dashur no mapa | D.R.

Abusir: Trata-se de um sítio arqueológico composto por quatro pirâmides da 5.ª Dinastia. O seu maior atractivo é o facto de estar situada na orla do deserto e de ter muitos poucos turistas. A pirâmide mais bem conservada é a de Sahure, cujo interior ainda pode ser visitado. À esquerda, está a pirâmide de Nyuserre, bastante degradada mas com o corredor mais completo que a liga ao seu vale e aos templos mortuários. Mais para sul está a pirâmide de Neferirkare e a inacabada pirâmide de Neferefre. Abusir foi ainda local de duas importantes descobertas arqueológicas. Ali foram encontrados um conjunto de papiros do Império Antigo descrevendo rituais e actos cerimoniosos, bem como um túmulo inviolado de um sacerdote egípcio do séc. VI a.C.

  • O local não é servido por transportes públicos e está situado a 27 quilómetros a sul do Cairo. A entrada é paga. Abre das 08 às 15 horas.
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Esquema de Abusir | D.R.
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Pirâmides de Abusir, com as de Giza ao fundo | D.R.

Faium: É o maior oásis do Egito e está situado a uma hora e meia de carro do Cairo. É um refúgio muito procurado pelos cairotas, mas preterido por muitos outros que preferem o lago Qarun, o coração desse oásis. Na área de pirâmides de Faium, os verdadeiros apreciadores destas construções podem ver as pirâmides de Meidum e de Hawara. Há ainda oportunidade para ver nas proximidades da cidade de Faium um vale remoto (Wadi al-Hitan) onde foram descobertos em 1902 esqueletos de baleias. O local é património mundial da Unesco.

  • Está localizada a 100 quilómetros a sudoeste do Cairo.
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Oásis de Faium | D.R.
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Lago Qarun | D.R.

Qanater: Aqui a maior atracção são as diversas barragens construídas para controlar o fluxo de água para o baixo Egito. Actualmente, as barragens estão rodeadas de jardins e são um local muito apreciado pelos egípcios para piqueniques.

  • É possível chegar a Qanater de ferry a partir da Corniche el-Nil, no Cairo. A viagem demora duas horas.
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Barragem em Qanater | D.R.

Birqash: A maioria dos camelos chega ao Egito, a Birqash, vinda do Sudão. Birqash é o maior mercado de camelos do país. Todas as manhãs, vendem-se ali centenas destes animais, embora o comércio seja mais animado às sextas-feiras.

  • Situada a 30 quilómetros a Noroeste do Cairo, junto à estrada do canal Mansuriyya.
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Mercado de camelos em Birqash | D.R.

Wadi Natrun: A cidade desde sempre foi valorizada pela civilização egípcia dada a existência de natrão, um ingrediente vital no processo da mumificação. Com o período do império romano, o local tornou-se refúgio para os primeiros cristãos perseguidos pelos romanos. Inicialmente, os monges e eremitas viviam em grutas, mas foram construindo diversos mosteiros para se instalarem. Saindo na aldeia de Bir Hooker, é facilmente perceptível a existência de quatro mosteiros, cercados por altos muros de tijolos de lama, que fazem com que o local se assemelhe a uma fortaleza (Deir Anba Bishoi). Se houver tempo e gostar do tema, há ainda para conhecer os mosteiros Deir al-Baramus e Deir Abu Makar.

  • Há autocarros no Cairo que fazem a ligação a Wadi Natrun.
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Esquema do mosteiro Deir Anba Bishoi | D.R.
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Mosteiro Deir Anba Bishoi | D.R.
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Mosteiro Deir Anba Bishoi | D.R.

NOTA: Nenhum dos locais acima mencionados foi visitado por mim na visita que fiz ao Egito. Tratam-se apenas de informações úteis, tiradas de vários guias, para ajudar aqueles que têm mais dias para conhecer o país. Todas as fotos foram recolhidas da Internet e, como tal, todos os direitos são reservados. Incluindo a do cabeçalho do blogue, nesta semana.

2 opiniões sobre “Egito: Arredores do Cairo, porque não?”

  1. olá, sou brasileira e adoro seu blog (mas esta é a primeira vez que eu comento). seus posts são muito bons e sempre completos. quando, um dia, eu viajar para o egito, com certeza voltarei aqui para pegar muitas dicas. parabéns! 😀

  2. Oi Carolina. Que bom ter este feedback tão positivo logo pela manhã. Espero que continue me presenteando com suas visitas. A série sobre o Egito está quase no fim e, em breve, inicio os relatos sobre Barcelona. Obrigado. Abraço, Bruno Cardoso

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