Egito: Dia 8 – Abrandando o ritmo em Saqqara e Dashur

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Pirâmide escalonada, Saqqara
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Pirâmide arqueada, Dashur

Saqqara e Dashur são dois sítios arqueológicos situados bem próximos do Cairo onde se podem ver pirâmides da civilização egípcia sem aquele grande afluxo de turistas que é frequente encontrar em Giza. Os locais não são acessíveis por transportes públicos, pelo que o meio de deslocação até aos dois sítios arqueológicos é frequentemente feito em veículo próprio ou, em alternativa, contratando um motorista particular local. E em Saqqara e Dashur dá para viver experiências marcantes e únicas. Dá para tirar aquela foto só nossa, dá para ver as pirâmides ao nosso ritmo sem turistas praticamente nenhuns, dá para descer ao interior de uma pirâmide, subir ao topo de outra e dá, também, para fugir dos habitantes locais, que aqui não tentam vender ao turista tudo e mais alguma coisa. E além disto tudo, ainda dá para ver pirâmides fora dos formatos habituais: uma escalonada, em Saqqara, e uma outra completamente arqueada no topo, em Dashur.

Decidi visitar Saqqara e Dashur por tudo isto que falei em cima. Como os dois sítios arqueológicos não vêm geralmente nos circuitos egípcios programados pelas agências de viagens, a minha solução foi estender a minha permanência no país mais dois dias, aumentando o número de oito para dez dias de viagem. E o primeiro desses dois dias foi preenchido com a visita a estes dois locais. E valeu muito, mas muito a pena. Abrandei o ritmo extenuante dos dias anteriores e tive, em conjunto com Assuão, o meu melhor dia de viagem por terra egípcias.

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O nosso motorista, Maher, conduzindo o seu Chevrolet

Como disse anteriormente, contratámos um motorista particular, o Maher, para nos levar a Saqqara e a Dashur. Fechámos o pacote com ele por uma manhã em 220 LE. Um bom preço, tendo em conta que o valor ainda é muito baixo face ao que é pago noutros locais e porque o teríamos à nossa inteira disponibilidade. Rumámos primeiro a Dashur porque o sítio arqueológico fica mais longe do Cairo, a 64 quilómetros a sul. Pelo caminho, uma imensidão de lixo, de gente a deambular entre ele, estradas esburacadas, pó, vacas em plena auto-estrada, polícia local montada em carros para lá de velhos… Enfim, tudo aquilo a que já estava habituado no Egito, mas que os meus sentidos não conseguiam deixar de receber por me causar simultaneamente tristeza, mas também um pouco de estupefacção.

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Lixo, um problema sem solução à vista depois da revolução
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As gentes locais levam a vida na calma
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O estado das viaturas da polícia local
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Chegando a Dashur

Em Dashur, e isto é a mais pura das verdades, não estava NENHUM turista. Nem nenhum egípcio. Éramos só nós, o motorista e o seu carro, o deserto imenso e as pirâmides que ali nos trouxeram. Imponentes, místicas e inesquecíveis. E o silêncio. Muito silêncio.

Pirâmide vermelha à vista, sem ninguém para incomodar
Pirâmide vermelha à vista, sem ninguém para incomodar

Dashur é um remoto campo de pirâmides de grande importância para quem quer compreender a história da construção destes monumentos. Cronologicamente, as pirâmides de Dashur são posteriores a Saqqara e anteriores às de Giza. Em Dashur, o destaque recai inteiramente sobre duas pirâmides: uma vermelha, assim chamada devido aos graffitis vermelhos nela encontrados, e uma arqueada, considerada a primeira pirâmide perfeita do Egito. A visita em Dashur começa primeiro pela pirâmide vermelha, que é a maior pirâmide do Egito após as de Giza.

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Subida até à entrada da pirâmide vermelha
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Deserto e deserto no cimo da pirâmide vermelha
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Mais um clique, mais uma foto

É possível visitar o seu interior, percorrendo um longo poço de cócoras. No fundo, existem três câmaras, duas das quais com tectos apoiados em consolas e onde o arco se forma numa série de degraus. É possível tirar fotos no interior desde que se pague um pequeno subornizinho ao egípcio que guarda a descida ao interior da pirâmides. Ah, e esta é completamente desaconselhável a claustrofóbicos. As fotos abaixos explicarão o porquê.

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Uma descida até ao túmulo da pirâmide vermelha em Dashur
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Interior da pirâmide
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As paredes da pirâmide vermelha
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Prestes a iniciar a subida à superfície
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A caminho da pirâmide arqueada

Rumámos depois de carro, mas ainda dentro de Dashur, à pirâmide arqueada. A teoria aceite e que explica essa excessiva curvatura no topo da pirâmide é a de que, a dado momento da sua construção, a estrutura terá começado a ficar instável, pelo que foi terminada com um declive bem acentuado. Destaca-se ainda o revestimento a calcário inicial ainda bem visível, que dá bem uma ideia da espectacularidade das pirâmides aquando da época em que foram construídas

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Arqueada no topo
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Parece pequena, mas não é
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A entrada para o interior da pirâmide arqueada, agora vedada ao turista
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Nós, debaixo da pirâmide

Há outras pequenas pirâmides ainda no sítio arqueológico de Dashur, mas que nada têm a ver com estas duas. E estão extremamente degradas. Vale a pena conhecê-las (estão por detrás da pirâmide arqueada) nem que seja para subir ao seu topo. E sim, isso é possível.

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Pirâmide preta ao longe, Dashur
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Subida ao topo de uma pirâmide
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No topo
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Um “agradozinho” à polícia local para uma foto e uma subida à pirâmide
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Em Saqqara
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Entrando no sítio arqueológico de Saqqara

Saímos depois de Dashur e dirigimo-nos até Saqqara, a 44 quilómetros a sul do Cairo. Trata-se de um dos sítios arqueológicos mais ricos do país, porque os seus monumentos abrangem 3 mil anos de história. Saqqara foi a necrópole real de Memphis, a antiga capital do Império Antigo. E à medida que a cidade ia crescendo, a necrópole também. Após algum tempo, a necrópole foi sendo usada para oficiais e perdeu gradualmente a sua importância até que foi abandonada. No entanto, a pirâmide escalonada de Djoser impediu que o local caísse no completo esquecimento. Actualmente, os arqueólogos estão novamente com os olhos postos no local depois das recentes descobertas feitas naquelas terras de forma bastante regular.

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Trabalhos de conservação na pirâmide escalonada

Mas Saqqara moveu a minha atenção pela sua pirâmide escalonada, actualmente em trabalhos de conservação. Trata-se, afinal, de uma estrutura notável que representou um avanço sem precedentes na história desta civilização porque, até à altura da sua construção, os túmulos reais eram meras câmaras subterrâneas cobertas por mastabas baixas feitas de tijolos de lama. Esta pirâmide acabou assim por se destacar de todas as demais porque resultou da construção de não apenas uma mastaba, mas sim de seis sobrepostas, cada uma mais pequena do que a anterior. Junto desta pirâmide, há ainda a notar um vasto recinto limitado por uma muralha de calcário que incluía, no séc. XXVII a.C., campos abertos, pavilhões, santuários e capelas.

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Chegando ao pátio da pirâmide escalonada
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Friso de cobras no pátio de Saqqara
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Pirâmide escalonada
Um pormenor do interior da pirâmide escalonada
Um pormenor do interior da pirâmide escalonada

Sendo Saqqara um dos sítios mais ricos de Egito, é natural que haja bem mais para ver no local do que a pirâmide escalonada. Deixo, por isso, abaixo um mapa do local e um conjunto de indicações básicas do que ainda deve ver por ali. E, sempre a pé e munido de muita água.

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Mapa de Saqqara, em inglês | D.R.
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E agora, para onde ir?

Pirâmide de Unas e túmulos persas – Esta pirâmide destaca-se pelo conjunto de hieróglifos que cobrem as colunas das câmaras do túmulo. Imediatamente a sul da estrutura, estão os túmulos persas, as câmaras funerárias subterrâneas mais profundas já descobertas no país.

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Túmulos persas e pirâmide de Unas

Pirâmide de Teti – Este ‘monte de cascalho’, como vulgarmente é conhecida, engana. Vale a pena adentrar na pirâmide para ver a sua câmara funerária que contem o enorme e bem conservado sarcófago de basalto do rei.

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Pirâmide de Teti
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O túmulo dentro da pirâmide de Teti
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Trabalhos de conservação na pirâmide de Teti

Serapeum – É o monumento mais invulgar e estranho de Saqqara e é composto por uma série de longas galerias alinhadas por câmaras onde se encontram 24 enormes sarcófagos de granito.

Indicações para o Serapeum
Indicações para o Serapeum

Círculo do Filósofo – Trata-se um conjunto de estátuas colocadas em Saqqara pelos gregos ptolomeicos O círculo de figuras inclui mestres gregos ilustres como Platão e Homero.

Círculo dos filósofos
Círculo dos filósofos

Informações úteis:

  • Indispensável levar roupa e calçado confortáveis, chapéu e muita água para não desidratar.
  • Ambos os locais são inacessíveis por transportes públicos. É preferível contratar um motorista local.
  • É obrigatório pagar uma pequena taxa à entrada de ambos os locais para a entrada dos veículos dos motoristas privados.
  • Saqqara

Localizada a 44 quilómetros a sul do Cairo.
Aberto diariamente
Preço – 60 LE (6,59€) em Novembro de 2012

  • Dashur

Localizado a 64 quilómetros a sul do Cairo
Aberto diariamente
Preço – 30 LE (3,30€) em Novembro de 2012

2 opiniões sobre “Egito: Dia 8 – Abrandando o ritmo em Saqqara e Dashur”

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