Madeira II – roteiro pelo interior

É no interior da Madeira que poderá observar melhor os picos vulcânicos da ilha, assim como as suas grandes ravinas e densas florestas. Não há um roteiro específico que consiga fazer de forma circular todas as atrações turísticas de que vou hoje falar, pelo que para as conseguir ver precisa mesmo de carro. E tem de voltar por vezes até ao ponto de origem depois de ver uma atração turística para em seguida seguir caminho para outra. A culpa é inteiramente do relevo da Madeira. Todos os caminhos deste roteiro para o seu segundo dia na ilha voltam a ter origem no Funchal. É de lá que poderá apanhar a ER103 (basta seguir a indicação ‘Monte’) até à localidade de Poiso, para em seguida subir de carro até ao cume do Pico do Areeiro, a 1818 metros de altura.

Pico do Arieiro

O Pico do Arieiro é o terceiro mais alto da Madeira e é facilmente alcançável de carro. Do seu topo é possível ver todos os diversos picos e montanhas centrais do interior da Madeira. As formações rochosas são verdadeiramente espectaculares e resultam das erupções vulcânicas existentes há milhões de anos atrás. No ponto mais alto, a 1818 metros de altura, está um poste de betão usado para medir a altitude e a localização. Para oeste, veja o desfiladeiro central da ilha com os seus grandes picos escarpados onde predominam cores como o vermelho, o castanho ou o preto. Para leste, é possível observar as florestas arbóreas da Madeira. O verde domina. Se o dia estiver totalmente sem nuvens, conseguirá ainda ver a Ponta de São Lourenço, o ponto mais a leste da Madeira. Antes de prosseguir viagem, tome um café no estabelecimento ali existente. Para quem gosta de caminhadas, há um circuito totalmente pedonal que liga o Pico do Arieiro ao Pico Ruivo. São, no total, 16 quilómetros de distância. Se o pretende fazer, muna-se de equipamento apropriado, roupa e calçado confortáveis, alguma comida e água para se hidratar.

Sugestão: tente visitar o Pico do Arieiro num dia sem nuvens. É aconselhável ir antes das 10h da manhã ou depois das 17h da tarde. No topo, por vezes, está frio. Leve, por isso mesmo, um agasalho.

Pico do Arieiro

Viveiros de trutas em Ribeiro Frio

Depois de voltar até à localidade do Poiso, pela estrada que o levou até ao Pico do Areeiro, siga agora para Ribeiro Frio. A pequena localidade é conhecida pelos viveiros de trutas situados num jardim muito bonito repleto de flores da Madeira. Algumas destas trutas fazem parte da ementa de um restaurante local. São uma iguaria muito apreciada pela zona. Poderá almoçar por aqui.

Ribeiro Frio
Viveiros de trutas em Ribeiro Frio

Ponchas no Poiso

No caminho de volta até ao Funchal, pare no Poiso, mais especificamente no bar ao lado da Casa de Abrigo do Poiso, um restaurante local, e prove a poncha. As ponchas são uma bebida alcóolica tradicional madeirense, uma mistura feita de rum de açúcar de cana, mel e sumo de limão.

Poncha, Direitos Reservados

Paúl da Serra

É tempo de seguir agora para o leste da ilha para ver o Paúl da Serra. Para isso, apanhe a VR até Ribeira Brava e de lá a ER104 até à localidade de Encumeada. Dali prossiga depois pela ER110 rumo ao parque eólico, Paúl da Serra e Rabaçal. O Paúl da Serra é o planalto da ilha da Madeira e encontra-se a exatos 1500 metros de altitude. É dali que nasce a maior parte das águas que alimentam ribeiras e levadas por toda a ilha da Madeira. A paisagem é árida e há gado por ali a pastar na pouca vegetação existente. Grande parte dos habitantes das povoações ali em redor vive da eletricidade gerada pelas turbinas do Parque Eólico.

Sugestão: próximo do Paúl da Serra encontra-se a localidade de Rabaçal. É daqui que começam duas das levadas mais interessantes da ilha. Uma vai deixá-lo na queda de água do Risco (aproximadamente 30 minutos para ir e voltar), enquanto a segunda leva-o até 25 Fontes, uma piscina natural alimentada por numerosas quedas de água (2 horas para ir e voltar).

Paúl da Serra
Planalto Paúl da Serra
Parque Eólico

Eira do Serrado

Do Paúl da Serra apanhe agora a ER209 que o vai deixar entre as zonas de Madalena do Mar e de Ponta do Sol. Desta última, percorra de novo a VR até ao Funchal. Siga em seguida as indicações Eira do Serrado e Curral das Freiras. Terá de percorrer toda a extensão da ER107 até à Eira do Serrado. Esta não é mais do que um belíssimo miradouro com café, restaurante e hotel de onde pode observar em toda a sua plenitude a pequena aldeia de Curral das Freiras. É a forma mais fácil de perceber o interior montanhoso da Madeira. Há quem diga que é daqui que se obtém uma das mais belas paisagens de todo o mundo.

 

Vista do Curral das Freiras da Eira do Serrado

Curral das Freiras

A localidade de Curral das Freiras encontra-se num vale escondido por altas montanhas. A aldeia foi usada como esconderijo desde muito cedo pelas freiras do Convento de Santa Clara para fugirem aos roubos, pilhagens e violações dos piratas que atacavam a ilha, em especial da cidade do Funchal. Estávamos no século XVI. Até há bem pouco tempo, a localidade só se encontrava ligada ao resto do mundo por um caminho de pedra com um total de 52 curvas. Mas um túnel construído muito recentemente acabou por ditar o fim deste isolamento permitindo que a aldeia se abrisse ao turismo e ao resto do mundo. Uma vez lá em baixo, em Curral das Freiras, não há muito para fazer a não ser visitar a Igreja Matriz, que data do século XIX, e provar os licores e os pratos tradicionais de castanha.

Curral das Freiras
Igreja Matriz de Curral das Freiras
Interior da Igreja Matriz de Curral das Freiras
Ponchas e outros licores locais

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