Madeira V – roteiro pelo Funchal e arredores

O Funchal é a maior da cidade da Madeira e também a sua capital. Foi fundada ainda no séc. XV, no ano de 1425, mais especificamente. O nome ‘Funchal’ deve-se ao facto de os primeiros colonos terem encontrado à sua chegada uma quantidade enorme de funchos selvagens. A cidade foi-se desenvolvendo desde essa altura em torno de uma baía natural, rodeada de falésias a leste e a oeste e montanhas altas e íngremes a norte. A sul é banhada pelo oceano Atlântico. Desde o ano de 1508, data em que foi elevada à categoria de cidade, o Funchal foi sendo alvo de ataques de piratas e de outros colonos, nunca tendo sucumbido. Hoje em dia, o Funchal é uma das maiores cidades portuguesas e uma das que mais contribui para a economia da ilha e de Portugal. No Funchal, a arquitectura e a natureza combinam-se de forma harmoniosa, estando a cidade repleta de parques públicos arranjados e inúmeros edifícios históricos de intenso valor patrimonial. As ruas estão pavimentadas com basalto. Um dia é mais do que suficiente para ver o que há de mais importante na cidade, mas deve começar cedo, pelos arredores. Siga, por esse motivo, de carro, para o jardim botânico.

Jardim Botânico

O jardim botânico é um dos locais mais aprazíveis em toda a ilha. As vistas panorâmicas sobre a cidade do Funchal são de cortar a respiração e as espécies de plantas e de flores que ali nos rodeiam também. O jardim botânico é o local ideal para ficar a conhecer mais sobre as espécies que se desenvolvem no clima quente e húmido da Madeira. O espaço está dividido em zonas, cada uma delas com espécies específicas de plantas. Há uma zona só de plantas indígenas, outra de espécies científicas, outras de catos, entre outras. Destaco, pela sua beleza, as partes do jardim dedicadas às plantas costeiras, às plantas comerciais e, ainda, os tapetes de plantas. Estes demonstram bem a variedade de plantas da ilha e as suas cores. São verdadeiramente lindos. Existe um café no Jardim Botânico da Madeira localizado em à volta de uns lagos com flores de lótus e lírios. Para quem gosta de orquídeas, há um jardim só de orquídeas situado perto do jardim do botânico. Daqui poderá ir de teleférico até à zona do Monte, da qual falarei mais baixo. Infelizmente, na altura da minha visita, parte do Jardim Botânico tinha ardido no terrível incêndio que fustigou a cidade do Funchal em Agosto de 2016. Os funcionários do jardim já estavam a trabalhar arduamente para voltar a levar o Jardim Botânico ao esplendor que tão bem o caracterizava.

Informações úteis: abre diariamente das 10h às 18h. A entrada é paga.

Jardim Botânico da Madeira
Jardim Botânico da Madeira
Jardim Botânico da Madeira
Vista panorâmica do Jardim Botânico da Madeira

Praça do Município (Câmara Municipal do Funchal e Igreja do Colégio)

Já dentro da cidade, sugiro começar o roteiro pela bonita praça do Município. É lá que se encontra o edifício da Câmara Municipal do Funchal e a ainda a igreja do Colégio. O edifício da câmara municipal, em estilo barroco,  é do séc. XIX e pertenceu a um dos homens mais ricos da ilha, o conde de Carvalhal. Se pedir ao porteiro do edifício, poderá apreciar o pátio interno repleto de belas varandas. Ainda na mesma praça, visite a igreja do Colégio, também conhecida como igreja de São João Evangelista. Esta deve a sua bela decoração interior, repleta de frescos, talha dourada e azulejos raros, aos jesuítas que viviam na cidade no passado. Em seguida, percorra as ruas estreitas repletas de lojas chiques até à Sé Catedral do Funchal.

Praça do Município

Sé Catedral

O edifício da catedral do Funchal divide a zona histórica da cidade da zona mais movimentada, repleta de lojas e resturantes. A história da catedral mistura-se um pouco com a história da cidade, dado que esta só ficou pronta na altura em que o Funchal foi elevado ao posto de cidade. O início da construção da catedral remonta ao ano de 1493. Apesar de o exterior do edifício ser extremamente simples, o interior não o é. Dentro da catedral é, assim, possível ver inúmeras estátuas, quadros e pequenas capelas cobertas de ouro. No chão estão os túmulos dos primeiros bispos da cidade e ainda tumbas de mercadores de açúcar. Mas o que realmente se destaca é o elaborado teto entrançado, tipicamente português, inspirado na geometria mourisca. O estilo artístico também é conhecido como alfarge.

Sé Catedral do Funchal
Interior da Sé Catedral do Funchal
Interior da Sé Catedral do Funchal

Parque de Santa Catarina

Não muito perto da Sé encontra-se o bonito parque de Santa Catarina. O jardim tem uma das vistas mais fantásticas da zona sul da cidade, nomeadamente a avenida do Mar e o porto. No parque existe ainda uma pequena capela. Dali é possível aceder ao hotel ‘Pestana CR7’, do emblemático jogador de futebol nascido na Madeira, Cristiano Ronaldo.

Parque de Santa Catarina

Hotel e estátua do CR7

O hotel ‘Pestana CR7’ está localizado em plena avenida do Mar, junto ao porto da cidade. Na verdade, o hotel não é muito bonito e só vale a pena ir até lá para ver a estátua em homenagem a Cristiano Ronaldo.

Hotel ‘Pestana CR7’
Estátua de Cristiano Ronaldo

Avenida do Mar

Um passeio pela avenida do Mar é o ideal para apanhar sol, tomar um café e conhecer um pouco mais do Funchal. A cidade está toda voltada para o mar, motivo que torna o passeio bem interessante. Durante o percurso, observe o animado porto com os seus inúmeros iates e cruzeiros transatlânticos, bem como a praça da Autonomia, com o bonito edifício da Alfândega ali ao pé. Chegará ao mercado dos Lavradores sem sequer dar por isso.

Avenida do Mar

Mercado dos Lavradores

O mercado dos Lavradores é um dos pontos de encontro dos habitantes da ilha e local cada vez mais voltado para o turista. Ali misturam-se visitantes, vendedores locais e compradores em torno de bancas que tornam cada vez mais vibrante o mercado. No rés-do-chão, é possível comprar o tradicional vinho da Madeira e bolo de madeira, entre um sem fim de bancas de pão, ervas aromáticas e fruta da época. Há ainda floristas em trajes tradicionais madeirenses a vender flores típicas da ilha. No andar de cima predominam as bancas de legumes e de fruta, muitas delas vindas da própria Madeira. Prove as bananas com sabor a mel, as pitangas, a cana-de-açúcar, os maracujás de espécies diversas, as romãs, nêsperas, anonas, goiabas e os marmelos, todas elas plantadas na ilha. E não estranhe se um dos vendedores lhe pedir para provar um pouco da fruta que vende. É uma técnica que usa para o obrigar a parar na expectativa de que depois compre. Atenção aos preços altos que, por vezes, ali são praticados.

Mercado dos Lavradores

Zona velha

A zona velha da cidade foi a primeira erguida pelos europeus fora da Europa. Foi crescendo por se encontrar protegida pela fortaleza de Santiago. O passeio por esta zona inicia-se nas traseiras do mercado dos Lavradores. A rua principal é a rua de Santa Maria, ladeada por bares e restaurantes. Esta zona permite ainda fazer a ligação turística entre o teleférico, que o levará ao Monte, e a fortaleza de Santiago.

Restaurantes na zona velha da cidade

Fortaleza de Santiago

A fortaleza de Santiago data do séc. XVII, tendo sido destativada como instalação militar e entregue ao Governo Regional da Madeira nos finais do séc. XX. Mais tarde, o local foi alvo de obras de requalificação para instalar o Museu de Arte Contemporânea.

Fortaleza de Santiago
Orla marítima junto à fortaleza de Santiago

Monte

A zona do Monte dá a impressão de que se está fora do Funchal. E foi esse mesmo objetivo inicial da sua criação e desenvolvimento no séc. XVIII, como retiro da azáfama da cidade. De lá para cá, contudo, o Funchal foi crescendo e o Monte foi integrado na cidade. A subida até ao local, num monte, pode ser feita a partir do teleférico situado na zona velha da cidade do Funchal e a descida feita nos tradicionais carros de cesto do Monte ou a pé. No Monte não há lugar para o stress. Apenas a contemplação da cidade lá em baixo, enquanto os nossos pulmões se enchem de ar fresco e puro e os nossos ouvidos do chilreio dos pássaros. E há jardins por toda a parte. O mais importante é o Jardim Tropical do Monte Palace. O Monte Palace era inicialmente uma quinta que, mais tarde, se transformou numa unidade hoteleira. Hoje em dia pertence à fundação José Bernardo, uma associação educacional e ambiental criada por este empresário madeirense. No Monte, destaque ainda para a igreja de Nossa Senhora do Monte. Os peregrinos sobem a escadaria da igreja de joelhos na festa da Assunção, a 15 de Agosto, em homenagem à Virgem de Nossa Senhora do Monte. Em frente a essa escadaria, estão os carros de cestos. A descida ao longo de dois quilómetros é feita pelos tradicionais carreiros, todos eles trajados a rigor. Os carros de cestos podem levar uma, duas ou três pessoas.

Preços:

  • Teleférico desde a zona velha até ao Monte: apenas ida, 11€ por pessoa. Crianças dos 7 aos 14 anos pagam 5,5€. Até aos 6 anos, as crianças não pagam. Se pretender subir de teleférico até ao Monte e depois descer usando o mesmo meio, ou seja, ida e volta, os bilhetes são de 16 e 8 euros respectivamente. As crianças até aos 6 anos continuam sem pagar. O teleférico está aberto das 9 horas às 17:45. A viagem dura aproximadamente 20 minutos e a distância percorrida até ao cimo é de 3 quilómetros.
  • Descida em carros de cestos: apenas uma pessoa – 25€; duas pessoas – 30€; três pessoas – 45€. Crianças com idade inferior a 5 anos só podem descer acompanhadas pelos pais e não pagam. Mais informações aqui.
Escadaria da igreja do Monte
Igreja do Monte
Igreja do Monte, interior
Vista para a baía do Funchal desde o topo da igreja do Monte
Descida de cestos
Descida de cestos

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