O Alhambra e a herança árabe de Granada

O Alhambra é o palácio árabe medieval mais bem preservado em todo o mundo e a maior atração turística de Granada, cidade localizada no sul de Espanha, na região da Andaluzia. Na verdade, o Alhambra é capaz de ser mesmo o monumento que mais visitas recebe em todo o país, superando por exemplo em interesse a Sagrada Família, localizada em Barcelona. O Alhambra é na verdade um grande complexo de palácios árabes, fortalezas e belos jardins e a herança maior na cidade deixada pelos Mouros, os árabes que no passado habitaram a península Ibérica. Essa influência árabe chegou aos dias de hoje e vê-se na profusão de lojas, vendedores e restaurantes de comida árabe que se multiplicam sem fim nas ruas e becos de Granada. O seu número é de tal ordem que a cidade é hoje em dia vista como uma espécie de ‘mini-Marrocos’ em Espanha.

A ocupação mourisca de Granada durou oito séculos, tendo terminado mais precisamente em 1492, quando os cristãos tomaram finalmente a cidade. Granada foi mesmo o último enclave dos árabes na península e só resistiu tanto tempo às investidas dos católicos por um motivo: o Alhambra. O complexo de palácios conta, na verdade, a história da ocupação Mourisca na península e em Granada, em particular, e por isso é tão importante nos dias de hoje. A sua história aliada ao elevado estado de conservação em que se encontra fizeram do Alhambra mais um monumento declarado Património Mundial da Humanidade pela Unesco. A afluência de turistas é de tal ordem que a visita ao monumento deve ser preparada com alguma antecedência.

Pontos de interesse:

Alhambra

A história do Alhambra começa no ano de 1238 quando pela mão do sultão Muhammed I, fundador da dinastia Nazarí, se inicia a construção do conjunto monumental. Ao longo dos anos seguintes foram sendo paulatinamente construídos os três palácios Nasrid que ainda são visitáveis hoje em dia: o de Mexuar (mais antigo e menos preservado dos três), o de Comares e o dos Leones. Os palácios foram construídos usando tijolos, madeira e estuque de modo a seguir os ideais islâmicos de não competir com as criações de Alá. O sultanato durou até ao ano de 1492 quando os reis católicos tomaram finalmente controlo do complexo árabe, designando-lhe funções militares.

Atualmente, o bilhete para o Alhambra contempla a visita aos três palácios Nasrid de que falei acima, à zona militar intra-muralhas da Alcázaba e ao Generalife, uma área dedicada ao lazer dos sultões e também utilizada como exploração agrícola. Dada a afluência ao complexo, é ideal comprar os bilhetes de entrada o mais cedo possível, na página oficial do Alhambra.

Durante o processo de compra, é preciso selecionar primeiro a data e horário de entrada nos Palácios Nasrid para depois proceder à sua compra online. Chegado o dia, deve mostrar o comprovativo da compra do bilhete na entrada do complexo. A entrada deve ser feita com a antecedência sugerida de uma hora face ao horário escolhido porque a distância a percorrer dentro do Alhambra entre a bilheteira e a entrada nos palácios Nasrid ainda é grande. Não são possíveis trocas nem atrasos no dia da visita porque as entradas no interior dos palácios são limitadas. Cada bilhete tem o custo de 14€. Os mais pequenos também precisam de bilhete, apesar de a entrada ser gratuita para menores até 12 anos.

Entrada para os palácios Nasrid

Palácios Nasrid

Assim que a estrutura do complexo do Alhambra ficou concluída, os sultões e as suas respetivas casas reais iniciaram rapidamente a construção dos palácios Nasrid. Na verdade, os três palácios integram o mesmo espaço, encontrando-se este dividido no seu interior. O Palácio de Mexuar é o mais mal preservado dos três. A fachada original data de 1365. O palácio destinava-se mais ao tratamento de assuntos jurídicos e burocráticos, sendo por isso mesmo aquele ao qual o povo tinha mais acesso. O palácio sofreu alguns acrescentos cristãos, uma vez que foi convertido em capela no séc. XVI.

Já o Palácio de Comares, construído na época de Yusuf I, era a área onde os sultões tratavam da diplomacia. A primeira sala do Trono do Alhambra (o Salão dos Embaixadores) encontra-se neste palácio. Na frente do palácio está o Pátio dos Arrayanes, composto por fontes de água, plantas perfomadas e intrincados trabalhos em madeira e em estuque de formato geométrico, com inscrições de poemas de louvor a Alá.

O Palácio dos Leones é o mais recente dos três e data do séc. XVI. Foi mandado construir por Muhammed V e coincide com um período de modificações operadas no interior do Alhambra. Na verdade, o palácio era mais um harém e a zona onde privavam o sultão e a sua família. No pátio do palácio é possível ver uma fonte com doze leões, que representavam os doze signos do zodíaco, as doze horas do relógio e/ou as doze tribos de Israel.

Alcázaba

A alcázaba tinha como função a defesa do complexo do Alhambra. Apesar de estar em ruínas, vale a pena entrar no seu interior rodeado de altos muros e torres para ver o que sobrou da área residencial militar daquele local. Do topo de uma das suas torres (Torre de la Vela) é possível obter vistas espectaculares do Alhambra, da cidade de Granada lá em baixo e, em dias de bom tempo, da Sierra Nevada.

Panorâmica da Alcázaba desde a Torre de la Vela

Generalife

O Generalife está localizado fora do conjunto muralhado do Alhambra, mas ainda dentro do interior de todo o complexo. O enorme espaço, composto por uma série de jardins e por um outro palácio, era usado pelos sultões como área de recreio. A entrada nesta área do Alhambra dá-se por intermédio dos chamados ‘Jardins Novos’, cuja função era a de ligar o Generalife ao resto do complexo. Já o palácio do Generalife propriamente dito, erguido também nos séculos XIII e XIV, funcionava como uma espécie de villa para descanso do sultanato, repleta de pátios interiores, fontes de água ornamentada e bonitos jardins. O pátio mais conhecido é o da ‘Acequia’, dada a existência de múltiplos tanques de água cujas proporcões são realçadas por belos jatos de água. É nesta parte do Alhambra, a mais elevada em todo o complexo, que se encontra a chamada ‘Escada de Água’, cujos corrimões são simultaneamente cursos de água.

Bairro Albaicín, mirador de San Nicolás e calle de las Teterías

O bairro do Albaicín está localizado na encosta junto do Alhambra e juntos constituem o coração da Granada mourisca. Pelas suas ruas estreitas, repletas de casas pintadas de brancos e pátios interiores, é possível ver uma profusão de mercados de rua e casas de chá. O número é de tal modo elevado que esta parte da cidade mais se assemelha a um qualquer souk árabe. Passe pela calle Elvira, em particular na Caldería Vieja e Caldería Nueva, para encontrar esta profusão de lojas árabes. Por conservar esta intensa atmosfera arabesca, o bairro está classificado desde 1994, à semelhança do Alhambra, como Património Mundial da Humanidade pela Unesco.

Do bairro é possível obter vistas espectaculares sobre o Alhambra, bem como sobre as suas torres e muralhas. O miradouro mais emblemático pela vista que proporciona do complexo é o de San Nicolás. O desejável será ver o Alhambra de dia desde o ‘mirador’, mas também à noite quando o Alhambra fica todo iluminado. Há imensos outros pontos de interesse no Albaicín que pode explorar, caso tenha tempo. A Real Chancillería, a igreja de Santa Ana, os banhos árabes, a Casa de Castril e o Paseo de los Tristes são disso mesmo bons exemplos.

Vista do Alhambra desde o Mirador de San Nicolás

Outro bom lugar no bairro para fazer compras como se estivesse num verdadeiro souk árabe é a chamada Calle de las Teterías ou Calle de la Calderería Nueva. Aqui há muitas lojas de produtos marroquinos, em particular casas de chá, muito apreciadas junto da população local. Aproveite a sua estadia e faça como eles: entre numa dessas casas de chá e beba um bom chá de menta. Esta rua já está mais localizada no centro de Granada, perto da catedral e capela real da cidade.

Panorâmica da Calle de las Teterías e de outra rua

Catedral e Capilla Real de Granada

A catedral e capela real de Granada foram construídas para afirmar o domínio cristão na cidade. Para tal, foram usados os melhores artistas da época e introduzidas as melhores esculturas e pinturas dentro da catedral e capela real, de estilo renascentista. Os dois espaços são mesmo tidos como dos melhores exemplares do Renascimento espanhol. Dentro da catedral, é impossível não admirar o altar cheio de luz, bem como toda a fachada.

Para visitar a capela real, onde estão os túmulos dos reis Católicos de Espanha, é preciso comprar bilhete, que custa 5€. A capela está aberta ao público diariamente: de 2ª a Sábado das 10:15 às 18:30 e aos Domingos das 11h às 18h30. A capela real foi mandada construir em 1504 pelos reis da época e não foram poupados esforços e recursos na sua execução. A capela é o edifício cristão mais bonito em toda a cidade, tendo no seu interior alguns tesouros, como por exemplo a reja – grade dourada. A capela é de estilo gótico.

Alcaicería

O bairro da Alcaicería ocupa exatamente o espaço do antigo mercado árabe da seda em Granada. Situado muito próximo da catedral e capela real, a Alcaicería é outro local ideal para comprar recuerdos árabes ou mesmo da cidade de Granada. Infelizmente, o local está a ser aos poucos controlado pelos negócios da população chinesa, descaracterizando-o. Ainda assim, vale muito a pena visitar o bairro.

SUGESTÃO DE RESTAURANTE:

Tetería Diwan: Situada em plena calle de las Teterías, este bar/restaurante é um dos ideais para se deliciar com uma boa refeição árabe. De entrada peça o tradicional meeze árabe, que vem com húmus, pão e fallafel. Em seguida, para prato principal, experimente o cordeiro com cous cous. E para sobremesa delicie-se com um sortido de pastelaria árabe, à base de malha folhada/quebrada. Chá de menta e hortelã acompanha toda a refeição.

SUGESTÃO DE hotel:

Hotel Sacromonte: Situado no número 1 da Plaza del Lino, bem no centro histórico de Granada, este hotel é uma opção a ter em conta para quem quer gastar pouco e estar razoavelmente perto de tudo. Do hotel é possível ir praticamente a todos os pontos de interesse de que falei acima sem andar muito. O hotel também fica perto da praça onde se apanham os mini-bus que o deixam à porta do Alhambra. Tem dois senãos: não oferece pequeno-almoço e não tem parque de estacionamento para o carro, pelo que a alternativa será pagar a diária (que é quase 20€) de um dos parques existentes nas proximidades do hotel. O recepcionista indica na altura do check-in quais são esses parques e onde se localizam.

Mais informações sobre o hotel, clique aqui.

DISTÂNCIA DE CARRO, CÓRDOBA – GRANADA:

De Córdoba até Granada, a distância a percorrer de carro são aproximadamente 2h10, cerca de 210 quilómetros. O caminho mais rápido é apanhar a A45 espanhola em Córdoba e depois percorrer a sua extensão até tomar a A92 até Granada. O trajecto é gratuito nas duas estradas.

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