O conjunto histórico e monumental de Mérida

Mérida é um local de paragem obrigatória no caminho que separa Portugal da Andaluzia, região a sul de Espanha. Capital desde 1983 de outra região espanhola, a Extremadura, Mérida destaca-se pelo seu conjunto arqueológico monumental e impressionante, pleno de construções da época romana e árabe. Os motivos de interesse são de tal ordem que a cidade foi declarada em 1993 Património da Humanidade pela Unesco. Para os fãs declarados dos monumentos da época do império Romano e de história em geral, o ideal será mesmo pernoitar por ali uma noite.

A história de Mérida começa ainda antes do nascimento de Cristo pela mão do imperador romano Octávio Augusto. No ano de 25 a.C., o imperador decidiu fundar a cidade de Augusta Emerita no local onde atualmente se encontra Mérida por considerar que esta reunia as condições necessárias para assegurar a circulação de bens e de pessoas durante o auge do Império Romano.

Além do mais, era nesta zona que se dava confluência dos rios Guadiana e Albarregas. A zona da junção de ambos tinha também uma ilha no seu centro, facilitando assim a construção de pontes e a circulação dos romanos. Já no séc. VI, a cidade torna-se capital do reino Visigodo e de toda a Hispania. Os árabes conquistaram a localidade mais tarde, no ano de 713, iniciando assim um período de perda de importância política e administrativa em favor de Badajoz. Só no ano de 1230 Alfonso IX de Léon viria a recuperar o controlo de Mérida convertendo-a de novo numa cidade de importância em todo o reino.

Uma vez na cidade, o ideal é partir sem demoras à descoberta do seu conjunto arqueológico monumental. Tudo é facilmente alcançável a pé já que os principais pontos de interesse de Mérida estão localizados muito próximos uns dos outros. Parta logo à descoberta do complexo onde estão localizados o Teatro e o Anfiteatro romanos na cidade. À entrada, no Posto de Informações e de Turismo, poderá comprar por 15€ o bilhete ‘Circuito Completo’. O bilhete permite-lhe entrar em quase todos os principais monumentos da cidade, dos quais falarei de aqui em diante.

Pontos de interesse:

Teatro e Anfiteatro romanos

O Teatro e o Anfiteatro romanos estão localizados no coração da cidade de Mérida e ocupam um espaço enorme. Ambos os monumentos foram construídos em conjunto, entre os anos 16 a.C. e 8 a.C., e estão entre os maiores do seu género em todo o mundo. Simultaneamente, são também dos que chegaram mais preservados até aos dias de hoje.

Panorâmica do Teatro romano de Mérida

A construção do Teatro romano foi impulsionada pelo cônsul Marco Agripa, familiar dos imperadores Octávio Augusto e Tibério. Originalmente, o Teatro tinha capacidade para quase 6 mil pessoas, que se espalhavam ao longo das bancadas para assistir a peças de teatro. Os espectadores distribuíam-se ao longo de três bancadas, de acordo com o estatuto social a que pertenciam. Os senadores e os magistrados sentavam-se nos melhores lugares do teatro, bem em frente ao palco dos espectáculos. A parte mais interessante do ponto de vista arqueológico é a do palco principal, repleto de pórticos, colunas e esculturas romanas. Com a chegada do Cristianismo, o teatro ficou soterrado, tendo apenas ressurgido com as escavações arqueológicas ao local em 1910, que o viriam a reabilitar. Hoje em dia ainda se realizam espectáculos no local, nomeadamente o Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, com capacidade para 3 mil espectadores.

Teatro romano de Mérida
Anfiteatro romano de Mérida

Já o Anfiteatro romano tinha capacidade para muito mais gente: 14 mil pessoas, mais precisamente. A estrutura foi inaugurada oito anos depois do Teatro romano e destinava-se aos jogos de gladiadores e às lutas destes com animais selvagens. As lutas aconteciam no centro da arena, cuja forma elíptica tinha no seu centro num grande fosso. Os espectadores espelhavam-se ao seu redor, ao longo das bancadas. Nem todas estas chegaram aos dias de hoje, mas as que ainda subsistem deixam antever a grandiosidade e a importância que o local assumia na cidade durante a sua ocupação romana.

Anfiteatro romano de Mérida

Museu Nacional de Arte Romana

O Museu Nacional de Arte Romana de Mérida apresenta ao público os objectos encontrados no conjunto arqueológico romano de Mérida e que fizeram da cidade Património Mundial da Humanidade, pela Unesco. O grande edifício em que está instalado, todo em tijolo vermelho, situa-se bem na frente da entrada para o Teatro e Anfiteatro romanos. O museu mostra através de alguns objectos emblemáticos, mosaicos, esculturas e documentos da cultura romana, como se desenrolava a vida na cidade naquela altura. Um dos objectos mais interessantes do museu é o retrato do próprio Octávio Augusto, imperador responsável pela fundação da cidade. O museu é mesmo tido como um dos mais importantes de entre o seu género em toda a península Ibérica, tendo em conta o seu numeroso e importante acervo, distribuído ao longo de vários andares.

Museu Nacional de Arte Romana de Mérida

Circo romano (Hipódromo)

O Circo romano de Mérida é indiscutivelmente um dos maiores do seu género em todo o mundo. Era por isso mesmo o maior dos edifícios públicos da época Romana da cidade. Com capacidade para 30 mil espectadores, o circo foi construído no séc. I d.C., permitindo a realização de eventos especiais, principalmente corridas de bigas e de quadrigas, patrocinadas por cidadãos ricos, que levavam a multidão à loucura. Infelizmente, nada restou da estrutura das bancadas, mas ainda é possível ver bem as dimensões da arena. No total, são quase 300 metros de comprimento por 100 de largura. O local atualmente dispõe de um centro interpretativo com diverso material audiovisual que explica a importância do hipódromo na altura do Império Romano, particularmente em Mérida.

Panorâmica do Circo romano de Mérida

Basílica de Santa Eulália

Apesar de pequena, a basílica de Santa Eulália é um local com uma história fascinante e muito importante para a cidade. A basílica foi a primeira de origem cristã a ser erguida em Mérida e em toda a Hispânia, ainda na época Romana. Por isso mesmo, está classificada como Monumento Nacional. Debaixo dela há uma cripta, cujas escavações de 1990 deixaram visíveis algumas ruínas romanas, bizantinas e visigodas, bem como pinturas murais muito interessantes. Nesta cripta é possível ainda ver o mausoléu construído em memória de Santa Eulália, uma menina mártir, que se tornou no símbolo da resistência da fé cristã à perseguição romana. No passado, o edifício tinha servido como templo dedicado ao culto do Deus Marte. É possível chegar à basílica vindo do hipódromo percorrendo a Avenida da Extremadura. Ao sair da basílica, vire à direita pela Marquesa de Pinares, em direção ao aqueduto dos Milagros.

Aqueduto dos Milagros

O aqueduto dos Milagros foi a solução arranjada pelos romanos para transportar água potável desde a reserva de Proserpina até à cidade de Mérida, cruzando o rio Albarregas. As impurezas da água eram eliminadas durante o processo. As dimensões da infraestrutura impressionam ainda hoje em dia: 25 metros de altura e cerca de 850 metros de comprimento. O aqueduto foi construído entre o séc. I a.C e a segunda metade do séc. III d.C. Daqui, siga para o centro da cidade até à Puerta de la Villa, de onde parte a calle Berzocana que o levará ao Templo e Fórum de Diana.

Aqueduto dos Milagros

Fórum e Templo de Diana

Pouco resta do fórum da antiga Augusta Emerita, a principal praça pública da cidade na época romana. Apenas alguns edifícios mais emblemáticos como o Templo de Diana, muito semelhante àquele que poderá ser visto na cidade de Évora, em Portugal. A construção do templo, em honra de Roma e do seu imperador, data do séc. I d.C.

Templo de Diana, Mérida

Alcázaba árabe

Esta fortaleza árabe foi a primeira construída pelos muçulmanos em Espanha, no ano de 835. Situada às margens do rio Guadiana, a alcázaba tinha como função principal proteger a cidade, tendo para isso mesmo sido erguidas uma torre e uma cisterna. No seu interior, é possível ainda ver alguns trechos da calçada romana. Em 1129, com a reconquista da cidade aos muçulmanos, parte da fortificação foi convertida em convento pela Ordem de Santiago. Da fortaleza é possível ver a enorme ponte romana erguida no apogeu do império Romano.

Reprodução da alcázaba árabe de Mérida

Ponte romana sobre o rio Guadiana

A ponte romana sobre o rio Guadiana foi a primeira grande obra da antiga Augusta Emerita e data do séc. I a.C. A infraestrutura foi a peça fulcral para a fundação da cidade no local atual, constituindo-se como uma ferramenta estratégica para proteger toda a área ocupada na época e facilitadora da circulação de bens, mercadorias e pessoas. No total, a ponte tem 60 arcos e quase 800 metros de comprimento. Dali é só seguir pela Avenida de Roma para chegar até à Morería.

Ponte romana sobre o rio Guadiana em Mérida

Morería

A Morería é um dos locais que reúne mais restos arqueológicos dos povos que habitaram a cidade no passado. Situada mais particularmente entre as pontes Romana e Lusitânia, a Morería também tem um Centro de Interpretação da Via de la Plata, caminho que atravessava a Hispânia de norte a sul, com informação detalhada.

Casa del Mitreo e Columbários

A Casa del Mitreo e a zona mortuária dos Columbários está um pouco longe de todos os outros pontos de interesse, mas a distância que a separa do teatro e anfiteatro romanos (os mais próximos) é perfeitamente feita a pé. A Casa del Mitreo permite ao visitante perceber como se estruturavam as divisões de uma casa na época romana. Durante a visita não deixe ainda de reparar nos incríveis mosaicos romanos. A casa está situada em plena necrópole dos Columbários, um local onde os mais abastados da cidade iam cremar e depositar os restos morais dos familiares em urnas. A casa foi construída na segunda metade do séc. I d.C.

Panorâmica do interior habitacional da Casa del Mítreo
Casa del Mítreo

Informações úteis:

  1. Para visitar todos estes monumentos, o ideal será comprar o bilhete ‘Circuito Completo’. A compra pode ser feita em qualquer balcão de Informações e de Turismo da cidade. O preço é de 15€ e aplica-se a todos os cidadãos da União Europeia. Há entradas reduzidas para 7,5€ para jovens dos 12 aos 17 anos, estudantes, pessoas com deficiência, famílias numerosas e maiores de 65 anos. Para as crianças até aos 11 anos, as entradas são gratuitas;
  2. Esse bilhete permite-lhe entrar no complexo do Teatro e do Anfiteatro Romanos, no Circo Romano, na Casa de Mitreo, na zona dos Columbários, na Alcázaba Árabe, na cripta da Basílica de Santa Eulália e na área arqueológica da Morería;
  3. Todos estes monumentos estão abertos diariamente das 9h às 18h, com excepção da Morería. De 2ª a 6ª feira, esta abre e encerra à mesma hora que os restantes monumentos, mas fecha para almoço das 15h às 16h. Aos Sábados e Domingos, o horário de funcionamento da Morería é das 09h às 15h (sem hora de almoço);
  4. Caso decida não comprar este bilhete, poderá comprar entradas individuais para os monumentos que decidir ver. O bilhete para o Teatro e Anfiteatro romano é 12€. A entrada individual em cada um dos restantes monumentos citados acima é de 6€;
  5. A entrada no Museu Nacional de Arte Romana não está contemplada neste bilhete, pelo que é paga à parte. Tem um custo de 3€. Contudo, a entrada é gratuita aos Sábados a partir das 14h e aos Domingos. O museu está aberto de 3ª a Sábado das 09:30 às 18:30 e aos Domingos das 10h às 15h. Às 2ªs está encerrado.

Sugestão de hotel:

Hotel Rambla Emerita: o hotel está localizado numa das principais avenidas da cidade, a Rambla Mártir Santa Eulália. Dali, é possível aceder a todos os principais pontos de interesse da cidade a pé. O hotel não tem estacionamento privativo para o carro. A solução é deixá-lo nas proximidades do hotel, pagando um lugar de estacionamento na via pública. O hotel não é luxuoso, mas é o ideal para quem está de passagem e apenas quer pernoitar na cidade uma noite.

Mais informações, favor clicar aqui.

Distância de carro, Lisboa – Mérida:

A viagem entre ambas as cidades dura 2h40 e percorre um total de 283 quilómetros. O melhor trajecto começa na A2 ou A12 (depois de passar a ponte 25 de Abril), até à saída para Évora e Badajoz. Depois é só percorrer toda a extensão da A6 até à fronteira espanhola, via Badajoz. Do lado espanhol, basta percorrer a A5 – Via Rápida do Sudoeste – até à saída para Mérida. O percurso do lado espanhol é gratuito.

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