Tailândia: dias 15, 16 e 17 – as ilhas da costa de Andaman

A costa de Andaman na Tailândia é rica em pequenas e encantadoras ilhas, ideais para mergulho e repouso. Alguns destes arquipélagos são facilmente alcançáveis a partir de Ao Nang Beach, uma excelente base para explorar toda aquela região. As excursões até às ilhas duram geralmente um dia e a distância que as separa do continente, 45 minutos em média, é feita em ‘speed boats’. Como os dias por aquela zona estavam contados, optei por reservar três para ver, respectivamente, as ilhas Phi Phi, a baía de Phang-Nga e, por fim, as ilhas Hong. As primeiras ficaram mundialmente conhecidas por terem sido um dos cenários naturais do filme ‘A Praia’, protagonizado por Leonardo di Caprio. Já a baía de Phang-Nga inclui uma pequena ilha que entrou num dos filmes do 007, sendo por isso conhecida como ‘Ilha do James Bond’. O último arquipélago não é muito conhecido, mas tem por isso mesmo menos multidões a visitá-lo.

Ilhas Phi Phi

As ilhas Phi Phi são as mais encantadoras e interessantes para explorar de entre todas as que visitei nestes dias. Por terem ficado famosas após a rodagem do filme ‘A Praia’, a pressão turística atual a que estão sujeitas torna-as num local a evitar. Mas apenas se a excursão que o levar lá for de um dia. O conselho passa por assentar arraiais em Phi Phi Don, a maior das ilhas do arquipélago. Só assim conseguirá explorar com calma tudo aquilo que o local tem para oferecer. É só pouco depois das 16 horas da tarde quando os speed boats carregados com turistas regressam ao continente que ali se vive em paz e sossego.

Mapa do arquipélago Phi Phi

Existem muitas rotas marítimas que ligam o continente às ilhas Phi Phi. A nossa levou-nos diretamente até à ilha mais pequena do arquipélago: Phi Phi Leh. Esta ilha não é habitada e caracteriza-se pelos seus rochedos íngremes espectaculares. O passeio de barco que fiz ao seu redor permitiu visitar algumas das suas baías mais idílicas, nomeadamente Lohsamah, Pi-leh e Monkey. Ali é possível observar a vegetação e a orografia da zona, bem como o azul transparente do mar. Também se pode fazer snorkel e explorar os recifes de corais que por ali existem, assim como as várias espécies de peixes. Se quiser simplesmente nadar, também pode. Os locais convidam a isso. A excursão passou ainda pela Caverna Viking, cheia de estalactites e de pinturas rupestres de barcos à vela.

O ponto alto do dia era, contudo, a visita à Maya Bay. Este é o local que aparece no filme de Leonardo di Caprio que tanto nos faz suspirar. A baía é simplesmente deslumbrante. Está toda rodeada por rochedos íngremes e enormes cheios de vegetação, uma pequena porção de areia branca e fina e água quente, azul e transparente. E, infelizmente, dezenas e dezenas de speed boats, todos com centenas de turistas. A pressão turística nas ilhas Phi Phi sente-se mais aqui, já que todos têm o desejo de conhecer aquele paraíso na Terra. Tal como eu.

Maya Bay, cenário do filme ‘A Praia’, com Leonardo di Caprio

Após o almoço, tomado já em Ton Sai, em Phi Phi Don, era hora de explorar esta ilha de barco. Mas antes ainda houve tempo para andar a pé pela aldeia. Ao contrário de Phi Phi Leh, Phi Phi Don é o reflexo mais triste da falta de planeamento urbano. A pequena aldeia Ton Sai está afundada numa profusão de cabanas e outros alojamentos sem qualquer tipo de ordenamento urbanístico. Cresceu desmesuradamente para dar resposta ao turismo em massas. Apesar disto, a ilha continua a ser de uma beleza excepcional. Um dos seus locais mais engraçados é a Monkey Beach. Ali vêem-se imensos macacos na areia da praia e na água convivendo com os turistas, embora nem sempre pacificamente. Ainda houve tempo para atracar nas pequenas ilhotas Hin Kling e Bamboo, que fazem parte do arquipélago.

Nas ilhas Phi Phi

Baía Phang-Nga

A Baía de Phang-Nga é o segundo local mais popular para excursões a partir de Ao Nang Beach na costa de Andaman. A baía deve a sua fama às suas pequenas ilhas. A principal é aquela que nos anos 70 acolheu as filmagens de um dos filmes da saga de James Bond, ‘007-The Man With The Golden Gun’. Provocadas pela erosão milenar e pela acção do deslocamento de placas na superfície terrestre, as formas estranhas e fantásticas das ilhas são fascinantes. Toda a baía é rodeada por extensões mangais e por rochedos enormes cobertos de plantas e trepadeiras que emergem diretamente da água. Alguns destes rochedos são tão volumosos que escondem no seu interior grutas para os amantes da espeleologia.

As ilhas da baía podem ser alcançadas desde a cidade de Phang-Nga e, depois, de longtail boat a partir do cais de embarque de Tha Don. À medida que se vai caminhando em direção a Khao Ta Poo, a ilha do James Bond, passa-se por uma floresta de mangais. Esta é a maior floresta do género em toda a Tailândia. É da ilha de Khao Phing Kan que se vista a famosa ilha do James Bond, a Khao Ta Poo. A ilha tem um formato de cogumelo gigante e fez no passado parte de Khao Phing Khan. A deslocação das placas terrestres afastou-as cerca de 40 metros. A ilha apareceu em outro filme da franquia 007, ‘Tomorrow Never Dies’. No ecrã, o local é identificado como pertencendo ao Vietname. Puro engano. A ilha é a mesma nos dois filmes e, claro está, é tailandesa.

Eu e o nosso remador

Durante a manhã ainda houve tempo para andar de canoa na Lot Cave. São impressionantes as estalactites e estalagmites que ali se encontram. Formam socalcos e passagens calcárias que, uma vez mais, fazem as delícias dos espeleólogos. O almoço foi em seguida tomado na aldeia flutuante de Koh Panyee. Um dos pontos altos do dia foi a visita ao Buda gigante de Suwankhuha. Este é templo budista escavado no interior de uma rocha. A entrada para o templo é, na verdade, uma caverna habitada por imensos macacos. Estes tentam a todo o custo roubar comida e outros pertences dos turistas. É preciso ter o olho bem aberto quando entrar no local. Nas traseiras do templo, existe uma ligação subterrânea que liga a caverna onde está a imagem do Buda a uma gruta enorme.

Macacos à entrada do templo do Buda gigante de Suwankhuha
Cascata de Ton Tai

Ainda antes de regressar ao continente, houve tempo para relaxar na cascata de Ton Tai.

Hong Islands

O arquipélago das Hong Islands é, talvez, o menos conhecido de entre os três que visitei, mas nem por isso o menos interessante. Pelo contrário. Por não ter tanto turismo em massa, a visita à ilha torna-se inesquecível. A primeira paragem foi na chamada Pakbia Island, um local ideal para observação da natureza envolvente, apanhar sol, nadar e relaxar. É na Lading Island (ou Paradise Island) que se obtêm as melhores condições para fazer snorkel. As paisagens subaquáticas e os recifes de corais mais espectaculares em todas as Hong Islands encontram-se aqui.

Em seguida foi tempo de explorar a maravilhosa lagoa Hong, só acessível de barco. A entrada para a lagoa é feita por uma abertura muito estreita na ilha e só quem conhece bem a zona dá facilmente com o local. Ali a natureza encontra-se no seu estado mais puro não havendo por ali praticamente intervenção humana. Não é permitido sair do barco para mergulhar na lagoa, mas apenas fotografar e contemplar a beleza da zona. Por fim, o resto do dia foi passado na praia Hong, zona preferida por excelência pelas excursões para almoçar.

Informações úteis:

  • Cada dia indicado no título deste post foi passado em cada um dos três arquipélagos falados acima;
  • As visitas foram realizadas em excursões de grupos e compradas a agências de viagem certificadas existentes em Ao Nang Beach;
  • Os tours incluíam os transfers de e para o hotel, equipamento de snorkel, colete, fruta e água frescas, almoço, kit de primeiros socorros, guia, seguro e entradas várias todas elas pagas;
  • O tour às ilhas Phi Phi custou 1800 Baht (pouco mais de 46 euros). A ida à baía de Phang-Nga ficou por 1700 Baht (quase 44 euros). Já a excursão às Hong Islands foi mais barata, 1500 Baht (aproximadamente 39 euros).

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